Educação Híbrida e os cursos técnicos de nível médio

Fernando Leme do Prado

Fernando Leme do Prado é Diretor de Educação Profissional da ANEBHI -Doutor em Educação (PUCSP), Mestre em Educação (UNICAMP), Licenciado em Matemática, Física e Pedagogia; Ex-Presidente da Associação Nacional da Educação Tecnológica – ANET; Membro do Fórum de Educação Profissional do Estado de São Paulo

Justificativa:

É cada vez mais evidente que a Educação, e todos aqueles que com ela estão envolvidos, precisa de mudanças imediatas. As atividades educacionais em todo o mundo, nosso país incluído, seguem modelos anacrônicos e de eficiência duvidosa há tempo demais. Buscando uma aparência de atualidade novas tecnologias e muitas metodologias foram incorporadas ao processo educativo, sobretudo nas estruturas escolarizadas, de forma meramente instrucionista, preservando o tradicionalismo sem provocar nenhuma mudança relevante na transferência de foco do ensino para a aprendizagem. Há que se ressalvar que em muitos lugares e instituições novas propostas vêm sendo implementadas com resultados expressivos e animadores, mas isso está longe de ser um sinal claro de novos tempos para a Educação de maneira ampla e geral.

Os aumentos progressivos do número de dias e horas passados dentro da escola não cumprem sua função nem asseguram produtividade efetiva, pois só repetem mais do mesmo sem apresentar resultados claros no atendimento aos objetivos de aprendizagem. Entretanto, crises recentes e traumáticas obrigaram todos os envolvidos com educação, nos seus mais diversos níveis, modalidades e organizações a reverem seus modelos, conceitos e princípios para atenderem às novas necessidades e circunstâncias. Os resultados foram curiosos e surpreendentes. Ao contrário do que se imaginava “mais estudos e menos aulas”, e não o contrário, parece ser a fórmula correta para avançarmos para uma nova escola e novos cursos com aprendizagens mais sustentáveis e significativas. O “aprender a fazer fazendo” que extraímos da Educação Profissional revelou-se um poderoso aliado de alunos e docentes durante o uso forçado das atividades remotas.

Será que finalmente aprenderemos alguma coisa? As escolas e os educadores vão conseguir atender à velocidade das mudanças que impactam o nosso mundo? Ou a educação continuará a reboque de todas as outras atividades que compõem a estrutura social do mundo moderno? A mudança de paradigmas será inevitável. A educação híbrida se consolida como solução para a escola do futuro. Alguns se adaptarão rapidamente, outros com algumas dificuldades, mas sempre haverá os que resistirão e se oporão às mudanças por razões que vão do imobilismo à ignorância. Para isto teremos que apresentar novas propostas e esperar que a comunidade educativa decida aceitar a imperiosa necessidade de evoluir.

Neste quadro e no cenário educacional brasileiro a Educação Profissional nunca obteve qualquer protagonismo, sobretudo no nível médio. Mesmo com a Reforma de Ensino do início dos anos 1970 (Lei 5692/71), quando o então denominado 2º grau, hoje Ensino Médio, passou a ser obrigatoriamente profissionalizante, sempre se encontrou alternativas para oferecer ensino substancialmente propedêutico para atender à demanda daqueles que viam nos anos finais da Educação Básica um conjunto de séries apenas preparatórias para o vestibular e não como a etapa final de uma formação. Assim, o 2º grau profissionalizante foi gradualmente cedendo espaço e, quando o atendimento às faixas etárias se regularizou com os alunos cursando cada etapa na idade certa, até os cursos noturnos nos quais se concentrava a maioria dos alunos dessa modalidade perderam sua representatividade. Nos anos 1990 a LDB 9394/96 provocou uma significativa redução na relevância desses cursos, que ainda passaram a receber a concorrência, do nosso ponto de vista indevida, dos repaginados cursos superiores de tecnologia.

Os Cursos Superiores de Graduação Tecnológica correspondem a outro nível de ensino, mas nem sempre foram, e continuam sendo, tratados dessa forma, ofertados por inúmeras instituições universitárias como um curso intermediário e, inevitavelmente, comparados com os cursos técnicos de nível médio. Realidade que perdura no Brasil, embora o cenário mundial caminhe em outra direção, com crescente valorização das formações técnicas e tecnológicas. Estudos recentes do Banco Mundial, inclusive, confirmam a crescente necessidade de investimento na formação de capital humano para atender às exigências dos avanços tecnológicos. Este fenômeno tupiniquim, de desvalorização da educação profissionalizante, possivelmente decorre da cultura bacharelesca que sempre presidiu nossa escolarização desde o período colonial.

Os tempos, porém, são outros. Assim como fomos obrigados a incorporar nas atividades escolares regulares outras modalidades de ensino, o mundo produtivo nos envia sinais inequívocos da necessidade de técnicos, que representa uma previsão de empregabilidade a ser seriamente considerada muito antes dos estudos universitários. As pesquisas sobre as aspirações dos jovens concluintes do Ensino Médio apontam para o desejo de uma formação profissional ao final dessa etapa de estudos. Além disso, recente edição da Base Nacional Comum Curricular, instrumento normativo mandatório, estabelece entre os itinerários formativos no Ensino Médio a formação profissional de nível técnico.

Entendemos que está na hora de propor um novo Ensino Técnico que incorpore todas essas aprendizagens recentes. Com novas tecnologias, novas metodologias, mas, sobretudo, com uma nova proposta pedagógica centrada na aprendizagem, utilizando diferentes modalidades e meios, tendo o aluno como protagonista mediado por professores que deixariam a função de meros repassadores de conteúdo, caminhando para a obsolescência, para assumir o imprescindível papel de mediadores e condutores do processo educativo.

Nossa intenção aqui é apresentar um esboço de novos cursos técnicos dentro desta nova realidade usando materiais didáticos, multimeios, diferentes modalidades e organização curricular diferenciada, para atender os anseios dos alunos e as possibilidades de oferta, desconstruindo os modelos essencialmente presenciais, a sobrecarga de aulas dentro da escola, com a revisão dos tempos, para propiciar uma formação efetiva e atrativa. A hora de efetivo trabalho escolar, nos termos em que está normatizada, atenderá todos os dispositivos legais vigentes, mas privilegiará o estudante e sua aprendizagem com atividades desenvolvidas em modelos híbridos cada vez mais consagrados.

Considerações iniciais:

Há décadas os vestibulares pautam os conteúdos que são desenvolvidos no nosso Ensino Médio. Assim, a visão conteudista prevalece por mais irrelevantes e questionáveis que sejam muitos dos temas exigidos nas provas nesta etapa de formação. Como o vestibular é uma prova excludente, que não pode, jamais, ser confundido com avaliação, o nível de exigência só atende à quantidade de participantes dos processos seletivos, obrigando nossos jovens a armazenar um considerável volume de informação de utilidade absolutamente duvidosa, rumo a uma formação universitária, muitas vezes para atividades saturadas no mercado, em detrimento de uma formação técnica que poderia representar a mesma ascensão social.

Nesse cenário é fácil entender por que os cursos técnicos de nível médio não têm a valorização adequada. Mas não é só por isso. Os cursos oferecidos, com raras exceções, estão distantes das realidades e atualizações constantes do mundo produtivo, têm que cumprir extensa carga horária em salas de aula, nem sempre justificável, e requerem um tempo considerável de permanência nas escolas em atividades conteudistas, tradicionalmente presenciais, que poderiam ser desenvolvidas com novas metodologias em outros espaços e outras modalidades de ensino.

É fundamental entender como funcionam as relações entre o ensino e a aprendizagem para que possamos promover as mudanças que o processo educativo requer. Há quem considere que ensino e aprendizagem fazem parte de um único e mesmo processo. O que não é verdadeiro. São processos complementares, mas distintos e independentes, e assim devem ser tratados. Esse erro conceitual faz com que as propostas conteudistas, nos quais as aulas se limitam a simples repasse de informação, apresentem aprendizagem significativa limitada, na maioria das vezes uma mera retenção temporária de memória. O ensino é exógeno, ocorre fora do indivíduo, organismo ou sistema. A aprendizagem é endógena, ocorre dentro de cada pessoa. Assim, para a ocorrência de qualquer aprendizagem não basta ensinar. Cada indivíduo deverá ressignificar as informações que estiver recebendo, estimulado pelas tecnologias e metodologias adequadas, para possibilitar que uma aprendizagem ocorra de forma efetiva e significativa.

Todas essas considerações têm especial importância naquilo que vamos apresentar: cursos técnicos de nível médio que podem ser desenvolvidos de forma integrada, concomitante ou subsequente ao Ensino Médio, atendendo toda a legislação e, esperamos, que alcançará as expectativas de formação desejada de forma híbrida, efetiva, inovadora, sustentável, atrativa e economicamente viável.

Para a efetivação dessa proposta é fundamental que saibamos desconstruir os atuais modelos aproveitando a aprendizagem que a crise generalizada, sobretudo no ambiente escolar, provocou no decorrer deste ano e que tenhamos o propósito de promover as mudanças que o processo educativo neste século 21 está a exigir de todos nós educadores.

Um Novo Curso Técnico:

Educação Híbrida não é uma novidade como se acredita nesses tempos de crise e fechamento de escolas para as atividades presenciais. Também não é consequência da expansão da oferta, sobretudo no ensino superior, de cursos na modalidade a distância. Trata-se de combinar, como já se fez e se faz, multimeios e modalidades de comunicação e educação de forma integrada, estruturada e com propostas pedagógicas definidas, da organização curricular ao aperfeiçoamento docente, passando pela escolha dos materiais didáticos e a adequação de tempos e espaços.

Para sua efetivação é fundamental que a Proposta Pedagógica de cada instituição de ensino esteja alinhada com o propósito de possibilitar a transferência de foco do ensino para a aprendizagem. O uso de metodologias ativas, como a sala de aula invertida, os projetos integradores e os inúmeros aplicativos baseados em objetos de aprendizagem, sempre com a mediação de professores, são exemplos que podem ser gradualmente incorporados em um projeto híbrido muito mais efetivo.

A organização curricular deve acompanhar essa proposta e não se resumir ao onipresente sistema por séries que limita as atividades escolares, abrindo espaço para novos modelos mais atuais e flexíveis. A nossa LDB, Lei 9394/96, prevê, em seu Art. 23 várias formas de organização curricular para a Educação Básica, inclusive a matrícula por disciplina. Entretanto, o formato seriado anual e, eventualmente com matrículas semestrais, imperam absolutos na maioria dos estabelecimentos de ensino de Educação Básica, públicos e privados. Desse modo um conjunto de disciplinas é proposto, sem nenhuma correlação multi, inter ou transdisciplinar entre elas, tratadas isoladamente como convém ao modelo instrucionista. Essa fragmentação do acesso ao conhecimento facilita a utilização dos atuais modelos, mas está longe de atender à formação que se deseja nesta fase da escolarização.

A maior parte do material didático existente e normalmente utilizado é produzido para reforçar o modelo instrucionista e facilitar a memorização. Atende ao que se propõem na medida em que simplifica e hierarquiza as informações facilitando a tarefa docente no modelo presencial. Entretanto, para atender uma proposta híbrida ele teria que ser reconstruído para contemplar as diferentes modalidades envolvidas. A utilização dos mesmos materiais, inevitavelmente, limitaria as atividades necessárias em uma recorrente volta ao presencial conteudista.

Talvez o ponto mais importante dessa proposta seja a revisão do importantíssimo papel do professor em todo e qualquer processo educativo. A função de repetidor de conteúdos concorrendo com outros meios tecnológicos como a internet está encaminhando a carreira docente para a obsolescência. Aulas conteudistas, desinteressantes, longas, desprovidas de outra metodologia que não seja a expositiva, não atraem mais os alunos. Apresentar uma maquiagem tecnológica com slides e Power Point já não impressiona mais o corpo discente. Continua a ser ensino instrucionista no qual a aprendizagem não é responsabilidade do docente. O professor mediador capaz de usar diferentes metodologias, com novas formas de avaliar, e preocupar-se mais com a aprendizagem do que com o ensino, transformando-se em mediador do processo educativo, é o caminho para a recuperação da importância da docência e a preservação da absoluta relevância do papel do professor.

Há, aqui, uma grande preocupação como o possível excesso de trabalho do professor, assim como ocorreu na transição do ensino presencial para o remoto determinado pelo fechamento das escolas. Mais uma vez ousamos afirmar que haverá um tempo de adaptação ao qual se seguirá um estabelecimento de rotinas que deixarão de representar sobrecarga, possibilitando uma normalidade desejável. A expressão mediação pedagógica ganha, assim, definitivamente, um significado realista, pois nem sempre é entendida como atividade essencial do professor como facilitador da aprendizagem. Na transferência de informação, que não deve ser indevidamente chamada de transferência de conhecimentos, uma vez que essa última não é possível, o professor se limita ao ensino sem saber se dele decorrerá alguma aprendizagem. Na mediação pedagógica a preocupação é com a aprendizagem, assim o docente deve buscar os “feed backs” que permitam verificar sua ocorrência. A avaliação é muito diferente. Não se resumirá a verificar retenção de memória, mas os conhecimentos construídos a partir das informações recebidas. Assim como no mundo do trabalho, objeto da Educação Profissional, cada vez menos importa aquilo que se sabe, mas aquilo que se sabe fazer.

Para não ficarmos nesta visão pós-moderna de criticar sem nada propor vamos apresentar algumas formas de desenvolver um novo Ensino Médio, com as alternativas de itinerários previstos nas novas BNCCs, especialmente para os cursos profissionalizantes de nível técnico. O que estaremos propondo se aplica aos tempos atuais com a retomada das aulas na reabertura das escolas, mas, também, à continuidade desses modelos nos anos letivos subseqüentes adaptando-se às realidades cambiantes que, certamente, farão parte das vidas escolares de todos nós.

Começando com o que denominamos de Classes Interativas, aplicável para esse momento que estamos vivenciando, mas que poderá ser usada, repetimos, nos modelos híbridos que serão utilizados doravante com as adequações possíveis e necessárias, segue um princípio bastante simples: uma parte dos alunos de cada turma ou classe na escola e outra parte on-line, ou com uso de materiais didáticos, em sistema de rodízio a cada semana. Todos assistem às mesmas aulas e os alunos em salas de aula representam um ou mais colegas em casa, preferencialmente on-line, mediados por seus professores. Assim, cada parte de uma turma, ou classe, teria aulas diárias, sem repetição de conteúdos, em semanas alternadas, cumprindo o calendário escolar e preservando a lógica semanal que preside as atividades escolares regulares.

Este modelo aceita diversas variações e pode ser construído a partir da proposta pedagógica da escola, das suas características e necessidades, além dos interesses e disponibilidades dos alunos. Com menos ou mais aulas, projetos desenvolvidos na escola, ou em outros ambientes, em horários diferenciados. Sempre mediados por docentes, com orientação, registro e avaliação.

Para a utilização das classes interativas há, evidentemente, uma série de requisitos de ordem tecnológica e educacional para viabilizar a proposta, cujos pontos principais são os seguintes:

Uma das possibilidades, com a desejável conectividade, seria estarem conectados os presentes, professores e alunos, e os não presentes, utilizando dispositivos eletrônicos (smartphone, tablet, laptop, etc.) controlados pela instituição que, para isso, deve dispor de um eficiente sistema de WIFI;

Os professores deverão preparar seus planos de aulas para atender aos princípios da proposta e serem devidamente orientados na elaboração do planejamento, uma vez que as aulas serão muito diferentes daquelas às quais estão habituados em tempos presenciais;

Os planos de aula dos professores de cada disciplina, segundo sua carga horária, deverão ser construídos para atender esta realidade, à qual não se aplicam os planejamentos normalmente utilizados para as aulas plenamente presenciais. Será preciso repensar o formato das aulas aumentando a interatividade para estimular continuamente a participação de todos, presentes, não presentes, ou on-line. Os conteúdos deverão ser revistos priorizando os temas e os conceitos fundamentais para que os tempos de exposição sejam menores. A duração da aula e o período diário também deverão ser reduzidos, entre outros motivos para possibilitar as novas rotinas de acesso e permanência. As metodologias deverão privilegiar atividades interativas com menos aulas e mais estudos;

Serão indispensáveis o controle e o registro de todas as atividades educativas, uma vez que a legislação prevê que as cargas horárias e os dias letivos sejam cumpridos com horas de efetivo trabalho escolar, que se referem a todo tipo de atividade praticada dentro e fora da escola, desde que envolvam professores e alunos e sejam controladas, avaliadas e registradas;

As coordenações deverão organizar os horários e as rotinas, tanto de acesso como de permanência de professores, alunos e demais colaboradores evitando, no período da retomada, as possibilidades de contacto, sobretudo nos deslocamentos internos. Os tempos na escola deverão ser menores que os usuais. Este é um aspecto fundamental: redução do tempo de permanência dentro da escola com aumento das atividades fora da escola ou cumprindo outras rotinas na própria escola, mas fora da sala de aulas;

As instalações físicas, inclusive laboratórios e oficinas, deverão atender os protocolos sanitários durante o tempo que for determinado pelas autoridades competentes;

A produção de materiais didáticos e de apoio, assim como as formas de utilização dos mesmos, segue o planejamento e deverão ser disponibilizados, se possível, com razoável antecedência.

Retomamos para reafirmar que os mesmos princípios das classes interativas podem ser utilizados em tempos de presencialidade plena com a redução do número de aulas e aumento das atividades de estudos, na própria escola ou fora dela. As atividades presenciais seriam compostas por aulas regulares e por atividades dirigidas como os projetos integradores que descreveremos a seguir.

À combinação de diferentes modalidades de ensino, que caracteriza a educação híbrida, se soma o uso de metodologias ativas baseada no desenvolvimento de projetos que denominamos integradores como mostraremos. Com o foco na aprendizagem e não mais no ensino o número de aulas, presenciais ou remotas, é reduzido e o número de atividades orientadas aumenta, mais uma vez no ambiente escolar ou fora dele. Cumpre retomar, mais uma vez, que a hora de efetivo trabalho escolar não distingue aulas regulares de desenvolvimento de projetos, nem espaços e tempos em função do local onde são realizados. Tudo deve estar contemplado na Proposta Pedagógica, na organização curricular, envolvendo alunos e professores, devidamente controlados, registrados e avaliados. Como em toda proposta inovadora sempre será necessário dispor de elementos documentais para convencer os céticos e os tradicionalistas que as normas não definem um único modelo de operacionalização das estruturas escolarizadas, mas sempre haverá aqueles resistirão ao que não compreendem ou desconhecem.

As bases de uma metodologia ativa, que estabeleça uma relação consistente entre o ensino e a aprendizagem, estão centradas em uma intensa participação do aluno durante todo o processo, além de uma competente orientação do docente, para que esta proposta alcance os objetivos de uma disciplina ou um conjunto delas, devendo se considerar os conteúdos necessários e os meios de pesquisa que possibilitem este trabalho. Deste modo, um Projeto Integrador pode ser descrito como o conjunto de atividades desenvolvidas pelos alunos, devidamente acompanhados por um ou mais professores, a partir de um tema, preferencialmente contextualizado, transformado em pergunta.

Aplicável em qualquer nível de ensino, mas com mais vigor no ensino médio, profissionalizante ou não, e no ensino superior, esta é uma metodologia das mais eficazes por possibilitar a ressignificação das informações, que é a base da construção do conhecimento, em seus inúmeros formatos, quase todos vinculados a uma metodologia de projetos que sistematiza os resultados e as práticas que este tipo de atividade propõe. Nos Projetos Integradores há uma concertação de esforços para resolver um problema, responder a uma questão, ou criar um modelo para análise de situações e suas variáveis e busca de respostas ou caminhos. A integração se dá pela conjunção de pessoas com diferentes conhecimentos e formações que, de forma supervisionada, compartilhadamente seguirão os procedimentos necessários para consecução do projeto.

Repetimos, não há qualquer restrição ao uso desta metodologia no Ensino Fundamental desde que sejam feitas as adequações necessárias ao nível de desenvolvimento do educando e às propostas pedagógicas correspondentes.

Ao longo do desenvolvimento de um projeto, um conjunto de habilidades e competências serão construídas ou aprimoradas em virtude dos aspectos atitudinais que inevitavelmente estarão presentes nas atividades. Muitas das exigências sócio-emocionais de uma vida profissional futura, ou imediata, serão experimentadas nas diversas etapas do PI independente do tema central ou de seu formato. Assim, estarão em curso as seguintes aprendizagens: comunicar-se eficientemente, trabalhar em grupo, respeitar hierarquias, assumir responsabilidades e comprometimentos, estimular a criatividade, organizar-se, resolver problemas e propor soluções, entre outras. Competências que não podem ser tratadas como conteúdos incluídos em alguma disciplina escolar, mas que estabelecem uma segura relação entre as diferentes áreas do conhecimento.

A utilização dos PIs segue uma ordenação e suas ações básicas poderiam ser descritas, sem a intenção de esgotar o tema, como: formação do grupo de trabalho; escolha e apresentação do problema a ser resolvido; organização interna do grupo; análise dos dados e situações encontrados; estudo de soluções e propostas; levantamento das necessidades para implantação da solução escolhida; análise de viabilidade; avaliação e sistematização. Às conclusões devem ser somadas formas de apresentação dos resultados que estimularão a escrita e a oralidade.

Definição do grupo de trabalho: em princípio pode ser formado pelos discentes de uma mesma turma, mas, também, por alunos e convidados de diferentes cursos, séries ou anos de entrada. Seu número é variável em função do problema e pode ser modificado, inclusive com a inclusão de pessoas com conhecimentos específicos diante das dificuldades encontradas no desenvolvimento do projeto. Importante observar que grupos não se organizam por si só. É preciso usar meios de composição e instruir sobre o funcionamento do grupo desde a caracterização das lideranças até a resolução de conflitos entre os seus integrantes.

Escolha e apresentação do problema: a escolha do tema pode contar com a participação do grupo ou ser apresentada pelo professor justificando sua relevância. Como o problema é o centro do trabalho deve ser formulado de modo claro, podendo ser real ou fictício. É importante apresentá-lo antes da atribuição de papéis dentro do grupo, pois o tipo ou as características do problema podem influenciar nesta composição.

Organização interna do grupo: cabe às pessoas do grupo constituído definir papéis e responsabilidades, assim como hierarquias se necessário, bem como a forma de trabalho e as expectativas em relação a cada um de seus integrantes. Este processo deve ser supervisionado para assegurar equilíbrio nas relações internas do grupo. A supervisão e/ou orientação deve identificar as características de cada componente do grupo, tanto em seus aspectos cognitivos, como sócio-emocionais.

Análise de dados: identificação das informações disponíveis e grau de relevância de cada uma. Nesta fase também se poderá determinar formas de obtenção dos dados considerados importantes e não disponibilizados ou insuficientes. Mais uma vez é absolutamente relevante observar os comportamentos individuais, as reações e a distribuição de atividades dentro do grupo, corrigindo se necessário.

Estudo de soluções e propostas: esta não é, ainda, a fase definitiva, mas a de propor possíveis soluções ou caminhos para os testes que serão necessários para validar as propostas e sua viabilidade. Esta é a fase criativa e deve ser amplamente estimulada. A formação da veia pesquisadora pode acontecer nestes momentos.

Levantamento das necessidades para implantação: aqui se devem elencar todos os elementos que serão necessários para viabilização do projeto, uma vez escolhido o caminho ou a solução para o problema proposto. De custos a cronogramas, de pessoal a equipamentos. Aqui cabem as pesquisas, inclusive as de campo, para fornecer os elementos necessários para uma escolha ou tomada de decisão. A pesquisa de campo é fundamental para a valorização da escrita autônoma. Se houver mais de uma proposta, seus elementos devem ser avaliados ou testados, na medida do possível, tornando a escolha consistente com a problematização inicial.

Análise de viabilidade: nesta etapa poderá ser necessária a participação de novos elementos ou “consultores” que possam auxiliar nos estudos necessários para que a solução apresentada possa ser implementada. Cabe ao grupo decidir se precisa efetivamente desta ajuda ou se é possível seguir o projeto com os elementos disponíveis.

Avaliação: etapa fundamental onde todos os elementos estudados devem ser considerados, inclusive o desempenho de cada integrante do grupo, avaliando o projeto e as soluções desenvolvidos. Aqui começam a ser definidos novos problemas e a estrutura da espiral que caracteriza a Metodologia de Projetos.

Sistematização: por mais significativos que tenham sido o trabalho e sua consecução, se não for possível utilizar os métodos e os resultados obtidos em outras situações ou problemas através da sistematização, seu valor perderá relevância. É a sistematização ou a estruturação das informações obtidas que possibilitam o uso das experiências acumuladas evitando o retrabalho e a necessidade de eterno recomeço quando já temos elementos suficientes para avançar em nossas atividades. Se aprendemos a fazer um projeto podemos passar à fase de implementação de outros projetos que porventura surgirem, pois já dominamos as suas etapas prévias graças à sua sistematização.

A apresentação dos resultados do projeto, bem ou mal sucedidos, é fundamental para completar o processo. Ser capaz de escrever sobre o que foi feito, como foi feito e aonde se chegou é a base de uma pesquisa científica que deve ser continuamente estimulada. Se pudermos acrescentar a isto uma apresentação, estaremos completando um ciclo evolutivo.

A espiral elíptica que caracteriza a construção do conhecimento também se aplica à resolução de problemas dentro dos Projetos Integradores. Identificação das informações, análise dos dados, formulação de hipóteses, testes e avaliações são elementos recorrentes ao longo de todo o trabalho. A intenção é que o aprendente incorpore estes procedimentos e métodos a todas as suas atividades de aprendizagem em quaisquer circunstâncias de sua vida.

Tudo o que estamos fazendo nestas propostas é uma tentativa de reler o processo educativo que sempre foi visto de forma estática com a dinamicidade que na realidade ele tem. As pessoas que iniciaram o projeto não são as mesmas que o concluíram. O projeto as modificou.

Há escolas que utilizam Metodologia de Projetos há muito tempo com resultados expressivos no uso de Projetos Integradores aplicados aos alunos dos ensinos médio e técnico como exemplo das proposições aqui apresentadas. A análise destes processos específicos revela aspectos positivos e um conjunto de dificuldades que procuraremos categorizar para efeito de reflexão.

Nas observações consideradas satisfatórias no desenvolvimento de Projetos Integradores na escola, encontramos elementos em três categorias: no campo pessoal, no do trabalho em equipe e no desenvolvimento acadêmico. Individualmente foi possível constatar uma considerável melhora na capacidade de argumentação e de oratória, aumento da reflexão e da postura crítica e a maior facilidade em agregar conhecimentos além das disciplinas apresentadas na escola. Nos relacionamentos interpessoais foi possível integrar pessoas com conhecimentos diferentes, aumento na capacidade de convivência e de trabalhar em equipe, além de propiciar a descoberta de novas lideranças. Para a vida acadêmica e continuidade de estudos, foi verificada uma maior capacidade de desenvolver processos de pesquisa e seleção de informações, habilidades de planejar e estruturar estudos e modelos, competências para elaboração de instrumentos de pesquisa tais como: elaboração de questionários e modelos de entrevistas, tabulação de dados, observação da realidade, construção de gráficos e relatórios, além de uma melhora sensível na comunicação escrita.

As principais dificuldades encontradas pela coordenação foram: organizar os grupos de forma a obter uma participação efetiva de todos os seus integrantes; dificuldades iniciais dos docentes para as atividades de orientação e tutoria; inseguranças em relação à profundidade dos temas, definição dos problemas e elaboração de hipóteses, além da proposição adequada de soluções e complexidade da integração das diferentes áreas do conhecimento, além de elaborar um conjunto de instrumentos para avaliar adequadamente o desempenho de cada grupo e de seus integrantes, identificando aqueles cuja produção não era compatível com os resultados apresentados. Uma avaliação de impacto foi sugerida para qualificar os desempenhos. Disto resultou uma avaliação diagnóstica que permitiu elaborar programas de recuperação para grupos e estudantes, facilitando o nivelamento e a possibilidade do estabelecimento de metas crescentes.

Em relação a estas dificuldades constatou-se que o despreparo dos professores, sobretudo advindos de sua formação, para trabalhar fora do instrucionismo é muito grande. Assim, coube à instituição de ensino promover oficinas de aperfeiçoamento docente para diminuir estas deficiências, preferencialmente utilizando as mesmas metodologias que gostaria de ver sendo aplicadas. Nestas oficinas foram construídos saberes que favoreciam as atividades de orientação e tutoria em detrimento da simples transmissão de informação. Para superar as dificuldades de relacionamento entre estudantes e entre estes e os professores foram realizadas palestras e oficinas sobre inteligência emocional. Foi preciso, ainda, trabalhar um cronograma de disponibilidades e algumas dificuldades na distribuição de tempo dos docentes, sobretudo os que cumprem jornadas em diferentes escolas. Outra preocupação, também decorrente de deficiências na formação, foi com o domínio dos conteúdos específicos das disciplinas que cada professor lecionava. Este é um elemento fundamental para o desenvolvimento de quaisquer propostas. Superando isto, a profundidade dos temas passou a ser muito mais simples de ser definida. Nos programas de aperfeiçoamento também puderam ser tratados os temas relativos à pesquisa que parecem ser pouco relevantes, mas que será exigido de professores e estudantes cada vez mais, independente do nível acadêmico em que se encontrem. Com isto, problemas, hipóteses, coleta de dados, interpretação e proposição de soluções passaram a compor o cotidiano de todos na escola, com os benefícios que são amplamente conhecidos.

Finalmente, a integração de diferentes áreas do conhecimento foi considerada uma política da escola tanto na construção conjunta de projetos e planos de aula, como na permanente revisão destes planejamentos, preferencialmente de forma coletiva, para que o conhecimento amplo do conjunto de disciplinas que compõe o currículo possibilite uma visão global das atividades propostas nos processos educativos e nas propostas pedagógicas. As coordenações e os docentes passaram a adotar uma agenda comum durante todo o período letivo e não apenas nos dias reservados ao planejamento.

Este é um exemplo bem sucedido de como podem ser introduzidas metodologias ativas no quotidiano da sala de aulas e dos resultados positivos na formação de pessoas que perdurará ao longo de suas vidas, cumprindo a tarefa essencial de uma instituição de ensino.

Como em todas as mudanças para que os resultados sejam satisfatórios é fundamental atender um conjunto de pré-requisitos tais como: preparar e equipar os funcionários para atendimento e atividades administrativas; definir com os coordenadores e professores as estratégias, as metodologias, as tecnologias e os materiais didáticos que irá utilizar nas atividades escolares nos termos da proposta; preparar os professores para a elaboração de planejamentos específicos e escolha de materiais para o período definido; orientar os alunos e, se possível as famílias, sobre o funcionamento da proposta e as responsabilidades de cada um; orientar e acompanhar o controle e o registro de todas as atividades didáticas e pedagógicas, principalmente as realizadas fora da escola,ou fora das salas de aulas, para que sejam devidamente documentadas; acompanhar a implantação e o desenvolvimento das atividades escolares dentro das novas rotinas; verificar regularmente se os objetivos de aprendizagem e a proposta pedagógica da escola estão sendo atendidos; acompanhar todas as formas de avaliação e verificação da aprendizagem; organizar a composição dos grupos de alunos presenciais e os grupos em atividades on-line ou remotas, que poderá variar em quantidade e ser feita de forma diversa para diferentes disciplinas, respeitando a possibilidade das famílias que preferirem não enviarem seus filhos à escola neste período.

Para o corpo docente, especificamente, é absolutamente indispensável que o planejamento de cada disciplina e os planos de aula correspondentes sejam elaborados para essa nova realidade, pois o modelo usual de aulas presenciais não é suficiente para atender as classes interativas, assim não será possível utilizar o mesmo modelo de aulas, com os mesmos tempos, estratégias e conteúdos. Do mesmo modo deve ser feita uma revisão de conteúdos e conceitos, priorizando os temas prevalentes e os conceitos fundamentais, propiciando uma redução dos tempos de exposição e de atividades em sala e a valorização dos estudos realizados em outros tempos e espaços. Também atender ao uso preferencial de metodologias ativas. O instrucionismo caracterizado pela repetição de conteúdos deve ser evitado. Algumas dessas metodologias como as salas de aula invertida requerem preparo antecipado de material e das atividades a serem executadas previamente. Indispensável considerar todos os alunos da turma e não apenas os presentes. Planejar atividades para quem está na sala e para quem está on-line ou remoto ao mesmo tempo. Repensar as formas de avaliar, os instrumentos que pretenda utilizar e as informações que a avaliação pode acrescentar nos diagnósticos e nos replanejamentos; atualizar-se no uso de novas tecnologias e novas metodologias para enfrentar os desafios decorrentes; organizar material didático para atividades remotas inclusive para aqueles que não dispõem de adequados recursos para atividades on-line.

Certamente não esgotamos as possibilidades que os modelos que apresentamos podem representar para um novo ensino médio e os seus possíveis itinerários, incluindo a formação profissional, com as mudanças paradigmáticas que a Educação deverá apresentar. Assim, com o aumento dos estudos e das atividades como os projetos integradores interagindo com as aulas regulares teríamos uma proposta de mudança em direção a uma formação integral dos alunos desta faixa etária.

 Finalmente, quando falamos em menos aulas não estamos nos referindo a menos dias letivos ou menos horas, mas em uma redistribuição dos tempos da escola em atividades fora das salas de aulas regulares que reforçam o processo educativo aumentando sua efetividade. Uma situação que redefine o papel do professor aumentando significativamente sua importância. A valorização da docência alcançará outro patamar, pois ao contrário dos tempos atuais nos quais o professor vem sendo, sistematicamente substituído pela internet, vídeos gravados e conteudismo, nossa proposta só se viabilizará com intensa e renovada participação do professor, sobretudo desses que mostraram sua incansável determinação de dedicação aos seus alunos durante o fechamento das escolas.

Considerações Finais:

As incertezas e as orientações dúbias fazem com que a tarefa de iniciar a retomada das aulas seja feita da forma mais planejada possível, com significativas mudanças no processo educativo, mas preservando alguns dos elementos fundamentais da escola: a atividade docente com planos de aulas específicos; a reorganização de espaços e horários; as orientações sanitárias; a manutenção da lógica de distribuição de aulas semanais possibilitando o cumprimento dos calendários e das cargas horárias; a utilização de novas metodologias focadas na aprendizagem; a produção de multimeios didáticos para integrar alunos e professores com foco na aprendizagem. O aperfeiçoamento docente é indispensável para assegurar que as novas ações educativas sejam realizadas por professores preparados e bem orientados evitando o desgaste de deixá-los à própria sorte para que restabeleçam os processos educativos diante de tantas e inevitáveis mudanças. A continuidade do trabalho docente depende deste preparo possibilitando o gradual deslocamento dos modelos tradicionais para outros focados na aprendizagem, o uso de metodologias ativas, o domínio das tecnologias e a valorização profissional.

A escola não é só um espaço de ensino e de aprendizagem, mas também um espaço de convívio social, absolutamente indispensável ao desenvolvimento de cada indivíduo, por isso a retomada de aulas presenciais assume papel fundamental neste novo processo educativo, gradual e sustentável que essa proposta contempla. Superada esta etapa de dificuldades e reflexões possivelmente teremos apressado as mudanças que já se fazem necessárias há algumas décadas, mas que hesitávamos em implantar pelo medo do desconhecido e as dificuldades em trilhar novos caminhos, mesmo com a certeza de que são inevitáveis. A criatividade e a inovação devem ser estimuladas para que todos os alunos sejam atendidos com a utilização de todo e qualquer material que viabilize a continuidade do processo educativo. Educação é atividade essencial e não pode ser tratada de outra forma, cabendo a todos nós, especialmente aos que estabelecem as regras encontrar, orientar e dar suporte continuidade do funcionamento das instituições de ensino. Muito teremos que aprender e nos adaptar. Isto, inevitavelmente, demandará esforços que, em algum tempo, deixarão de ser retrabalho para estabelecer uma nova forma de relacionamentos dentro do processo educativo. Superada a fase de desconstrução e reconstrução estaremos diante de uma nova normalidade na qual as atividades estarão dentro dos limites regulares da atividade profissional.

Algumas das propostas aqui contidas vêm na direção de organizar e facilitar a implantação de novos modelos e novos paradigmas, propor soluções para que a Educação, de um modo geral, acompanhe a velocidade das atuais mudanças e, principalmente, para valorizar o papel do professor como mediador dos processos de aprendizagem como pressupõem os modelos híbridos. A inclusão de Projetos Integradores nos horários regulares das aulas, na escola ou fora dela, pode ser uma forma bastante eficiente de alcançar novos e melhores objetivos de aprendizagem, assegurando o protagonismo do estudante no processo educativo.

Curiosamente, ao contrário daqueles que acreditavam que este ano de 2020 seria um ano escolar perdido, os resultados foram surpreendentes e talvez estejamos construindo os novos paradigmas educacionais que tantos ansiavam. Descobrimos, por exemplo, embora agora pareça óbvio, que quem estuda aprende mais do que quem só assiste aulas. Que as atividades escolares podem ser realizadas em outros espaços, para além das salas de aulas. Que novas tecnologias e novas metodologias podem ser incorporadas possibilitando a consecução de melhores objetivos de aprendizagem. E que até os celulares podem ser bem-vindos aos ambientes escolares.

Surge com força a Educação Híbrida, que como todo termo novo em uma determinada área provoca desconfiança e inevitavelmente atrai discursos nem sempre bem fundamentados sobre o seu significado. “Educação Híbrida é uma proposta pedagógica que combina atividades presenciais e remotas, mediadas por professor, com metodologia e tecnologia próprias, estruturadas nos multimeios disponíveis”. Esta é a definição da ANEBHI – Associação Nacional da Educação Básica Híbrida – que tem realizado um grande esforço para que as modalidades de ensino que o hibridismo possibilita sejam definitivamente incorporadas ao cotidiano escolar com protagonismo do aluno e valorização da aprendizagem.

Se bons marinheiros são forjados nos temporais a crise que se abateu sobre escolas, alunos, famílias e professores, determinou um avanço de grandes proporções no desenvolvimento educacional removendo dos ambientes escolarizados a mesmice, a contagem de tempo e de horas, a fragmentação das disciplinas, a concentração no ensino e nas salas de aulas, o conteudismo e o tradicionalismo, para que novas metodologias, novos modelos, o foco na aprendizagem, o uso de diferentes espaços e tempos, o professor mediador possam ocupar um lugar de destaque em uma nova escola e uma nova educação.

“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o medo mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido”.
H P Lovecraft (1890-1937), escritor americano que revolucionou o gênero suspense psicológico.

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